
terça-feira, 4 de março de 2008
Daniel Sampaio: “O mais importante é disciplinar”

Numa entrevista da no site "educare.pt", datada de 11/07/2007, o psiquiatra Daniel Sampaio considera a permissividade dos pais um risco e acredita que é fundamental saber dizer "não".
Passo a transcrever a dita entrevista ,pois achei deveras interessante. Acho que muito boa gente desde o mais alto nivel deveria ter em conta, sobretudo quando se tomam decisões que põe em causa o futuro dos "homens de amanhã".
EDUCARE.PT: É procurado por adultos, sejam pais ou professores, que se queixam dos jovens com quem convivem, já não os "suportando" ou não sabendo o que fazer. Que problemas são estes e a que é que se devem?
Daniel Sampaio: A maior parte da procura deve-se a falta de autoridade de pais e professores, excesso de exigência por parte dos filhos e problemas de comunicação.
E.: O que é que falhou ou está a falhar na educação destes jovens?
DS: Os pais hoje em dia esquecem-se que a disciplina na educação é tão importante como o amor.
E.: A forma de educar mudou. Como se gere a fronteira entre o autoritarismo e a tolerância?
DS: Não deve haver autoritarismo, não resulta. A autoridade é crucial, e deve basear-se numa relação continuada de empatia, sentido do outro e confiança. E não se pode ser tolerante com algumas coisas: tudo o que ponha em risco a segurança dos filhos não deve ser tolerado pelos pais.
E.: É importante dizer "não" aos filhos?
DS: Claro que sim.
E.: E a palmada e/ou o castigo podem ajudar de alguma forma?
DS: Sim, de vez em quando. O mais importante é disciplinar.
E.: Mas aos pais não basta serem firmes e consistentes. O que é preciso mais?
DS: Se fizerem isso misturado com amor e coerência - não dizer aos filhos para não utilizarem drogas e serem os primeiros a fumar haxixe - já será muito bom.
E.: É fundamental ter a atitude certa no momento exacto?
DS: Sim, mas os pais não são perfeitos, erram muitas vezes. O que precisam é de reflectir e errar menos, ouvindo muito os filhos.
E.: No seu livro "Lavrar o Mar" refere que os jovens se queixam mais por os pais não lhes terem dito um "não" e encolherem os ombros do que por um eventual autoritarismo paternal. Os jovens "preferem" pais mais interventivos?
DS: Claro que sim. Os jovens precisam de regras, de orientações, de directrizes traçadas pelos pais. Podem discordar, mas odeiam pais demitidos ou desinteressados.
E.: Uma infância sem regras e com falta de limites pode levar aos pequenos ditadores e a jovens opressores?
DS: Sim, é esse o tema dos livros do Javier [Urra] e do meu.
E.: Os pequenos ditadores são jovens permanentemente agressivos ou só com os pais?
DS: A agressividade é dirigida a pais e professores. Habitualmente têm boas relações com os amigos.
E.: O trabalho, os horários, as tensões pessoais dos pais podem contribuir para este comportamento?
DS: Sim, mas não são o fundamental. O problema reside no excesso de gratificação e ausência de limites na infância destes jovens.
E.: Na sua obra fala em limite interior e exterior. Pode explicar-nos melhor no que consistem?DS: O limite exterior é feito de fora para dentro: por exemplo, castigos em casa e na escola, gritos ou palmadas dos pais. O limite interior é construído desde a infância e tem a ver com a autodisciplina e com a moral: o que a criança acha, por si própria, que está certo ou errado. Por exemplo, a Joana sabe que há uma lei que a impede de matar (limite exterior), mas também sabe que matar não faz sentido para si (limite interior).
E.: Os primeiros tempos, na infância, são fundamentais para a construção da relação pais-filhos e para a estruturação da personalidade das crianças?
DS: Sim, até aos três anos, mas nunca se pode desistir.
E.: Como é que pais inseguros com adolescentes cheios de poder podem evitar o conflito frequente e desentendimentos futuros?
DS: Falando com outros pais e outros adolescentes encontrarão soluções.
E.: Defende que são os pais quem mais precisa de ajuda. O que é que pode ser feito?
DS: Devem procurar outros pais, participar nas associações de pais das escolas, pertencer a outros grupos que fomentam o associativismo parental, falar mais com os filhos.
E.: Que apoios há em Portugal?
DS: Há poucos, mas não podemos estar sempre à espera do Estado. Os pais podem trabalhar na escola, na autarquia, nos media.
E.: Qual poderá ser o papel dos avós?
DS: Os avós são o grande apoio dos pais.
E.: Que adultos serão os pequenos ditadores de hoje?
DS: Serão adultos inseguros, vulneráveis, sem serem capazes de suportar a frustração.
E.: Em relação à violência nas escolas, acha que é possível acabar com casos de violência entre colegas ou mesmo contra professores e funcionários? Como?
DS: Acabar não, diminuir, através de programas contra a violência na escola que mobilizem todos.
E.: Acha que os professores têm vindo a perder autoridade e poder?
DS: Sim.
E.: A violência dos jovens é reflexo da sociedade?
DS: Da violência da sociedade e de uma educação permissiva.
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2 comentários:
olá
bem, tenho que concordar com alguns desses aspectos transcritos, mas discordo da generalização do conteúdo.
A minha experiência diz, que o diálogo, é a essência dos bons resultados, porque aplicando uma velha máxima que é: (quem não vai a palavra muito menos à pancada).
tentar fazer prevalecer os ideais pela brutalidade, irá gerar mais brutalidade é um circulo vicioso,portanto, e falo só por mim, as boas relações entre o casal reflecte-se nos filhos, saber implementar as ética e os bons costumes nos filhos, tem que ser pelo diálogo, se tiver que haver castigos não utilizem a violência utilizem a amizade como arma,
dá resultados.
A educação tem que partir do relacionamento dos pais e não usem como defesa, o facto de a vida actualmente ser sedentária. Lembrem-se que eles não pediram para nascer.
reporterx.
olá querida,se muitos pais pensassem e refectissem nesta entrevista não acontecia o que muitas vezes acontece com os filhos deles....xau fica bem bjs
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